20 de ago de 2015

Novo blog

O Banzeiros agora está em outro endereço. Veja lá: http://www.banzeiros.com.br/

16 de mar de 2014

2008, início da construção da UHE Santo Antônio

Desde 2005 no Projeto Madeira para a construção de duas hidrelétricas no rio rondoniense, José Carlos Sá vive momentos importantes da geração de energia hidráulica na Amazônia. Abaixo três registros do primeiro ano de construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho, em 2008.


Primeira equipe da Odebrecht para a construção da UHE Santo Antônio


Leitura do Plano Básico Ambiental, no auditório do Hotel Vila Rica, em Porto Velho


'Reunião de Ataque' realizada no Casarão dos Ingleses, em 1 de setembro de 2008, dia do início da construção da UHE Santo Antônio

5 de jun de 2010

Andanças em fotos

Corumbiara, em 1987, com o ex-governador Ângelo Angelin
Em 1988 com o ex-governador Jerônimo Santana, atrás o ex-vice-governador Orestes Muniz

Em Santa Luzia do Oeste, em 1989, com o ex-vice-governador Orestes Muniz, do qual foi assessor. De óculos escuros o então prefeito do município, César Cassol
No Decom, em algum momento de descontração
Em 2002, em visita à construção do presídio de Nova Mamoré, com o governador em exercício, Miguel de Souza, uma semana após a chacina no presídio Urso Branco
Entrevistando o ex-presidente da Fiero, Júlio Miranda, para um documentário institucional
Em julho de 2009, na primeira concretagem da UHE Santo Antônio, passando informações para a "imprensa caripuna"

Em dezembro de 2009, em um "tour" com a equipe da Agência ImagemNews pela "asuzina". Na foto, com o Correa.

 Entrevistando para o Banzeiros o então ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, em março de 2010, no refeitório do canteiro de obras da UHE Santo Antônio
Entrevistando o presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo de Melo Pinto, durante visita do ministro Edison Lobão

Veja também: José Carlos veio para ficar 15 dias e está em Rondônia há 24 anos

O personagem era ele

Em 1986 José Carlos foi diretor da TV Educativa Madeira-Mamoré. Antes da inauguração, José Carlos foi entrevistado por Fátima Alves e virou fonte. O release foi publicado nos jornais de Porto Velho. A imagem abaixo é de um Alto Madeira. Em 1997 o já falecido jornalista Ailton José Ferreira "Bahia" dedicou um espaço de sua página sobre cultura no Alto Madeira para falar sobre a poesia de José Carlos. "Eu me sinto desconfortável sendo entrevistado, sendo foco de alguma coisa", afirma o Banzeiros.

Registros no impresso

Em seu arquivo de recortes de jornais, José Carlos Sá não tem nenhum da época em que trabalhou no Alto Madeira. Entre as reportagens que ficaram no baú, estão a entrevista que ele fez , em 1991, com o empresário e escritor Samuel Benchimol, já falecido, no jornal Gazeta do Estado, um "devezenquandário". E a entrevista publicada em 1986 no O Imparcial com o cineasta Hermano Pena, em sua primeira viagem a Rondônia, para a filmagem de 'Fronteiras das almas'. O material foi editado por Montezuma Cruz.

31 de mai de 2010

Sem amarras, com liberdade para opinar

“Onde se comenta o que foi e o que não foi notícia” é o slogan do Blog Banzeiros, criado por José Carlos Sá em 2006 para escrever o que não tinha força para virar matéria e sobre o que foi para a imprensa, mas não recebeu o devido tratamento, segundo a avaliação dele. Mas principalmente para comentar o que o incomoda. “Sou repórter 24 horas por dia, estou atento a tudo, vejo coisas que todo mundo vê, mas não percebe. Escrevo, fotografo e coloco no blog. O blog é o meu desabafo”, diz.
A origem do blog foi a coluna diária de mesmo nome que começou a ser publicada em 2005, no extinto site ‘ro-noticias’. No ano seguinte passou a ser exclusiva do site ‘rondoniagora’. Em 2008 José Carlos retirou a coluna definitivamente do ar e reativou o blog, que havia sido construído, mas pouco atualizado. “A coluna foi tirada do ar três vezes por causa de comentários meus que iam de encontro com a política editorial do site. Então optei por ficar só. No blog minha censura é a minha consciência”, afirma.

Pauteiro

José Carlos garante que inicialmente o blog era apenas um diário, mas devido às circunstâncias não é mais um espaço apenas para comentários. “Escrevo muita besteira, as ‘leseiras’, e as pessoas lêem. Isso me surpreendeu, saber que há leitores do blog. Gente que reclama quando não atualizo e gente que já sabe que o blog não é atualizado porque estou doente ou atolado em trabalho, mas mesmo assim cobra”, diz, rindo o homem do Banzeiros.
Muito mais surpreso ele ficou ao percebe que os “inocentes posts” viravam pautas para muitos colegas. “Fiquei meio assustado e orgulhoso, claro, mas também envergonhado por minhas besteiras estarem virando pauta”.

O nome

José Carlos conta que o nome do blog nasceu pela afinidade que ele tem com a cultura regional e também uma forma de homenagear o amigo Ailton Ferreira, o Bahia. “Ele utilizava na página ‘Geléia Geral’, de cultura, o termo ‘Revertendo banzeiros’, eu gostava muito”, explica.













No topo: Em uma voadeira após "um esforço de reportagem para o Banzeiros", em agosto de 2009, no distrito de Nazaré. O bom humor é uma das características de José Carlos
Acima: Com Lucio Albuquerque e Julio Aires (centro) durante palestra sobre Assessoria de Imprensa na Faculdade Uniron, em abril de 2010

30 de mai de 2010

“Entrevistamos juntos pessoas que são parte da história local”

"Não sei quando conheci o Zé Carlos Sá. Mas certamente foi logo depois de sua chegada, contratado pelo Governo do Estado, seguindo-se sua ida para trabalhar no Alto Madeira. Naquela época tínhamos no AM, e disso eu não tenho qualquer dúvida, a melhor equipe de profissionais de jornalismo que já se juntou numa redação em Rondônia, capitaneados pelo Ivan Marrocos e pelo Rodrigo Pacheco, além do Paulinho Correia e uma turma mais jovem.
Com o Zé participei de algumas entrevistas que considero importantes na minha vida profissional, mas destaco três porque foram feitas com pessoas que, além de conhecerem a história local eram, também, parte dela, dona Labibe Bártolo, já perto dos 102 anos e as professoras Marise Castiel e Aurélia Banfield, ambas já falecidas.
Desde que aqui chegou o Zé sempre atuou em assessorias. Nessa condição, assessorando o então candidato a governador Orestes Muniz, nós acabamos em campos opostos: era a eleição de 1990 e eu fazia a imprensa do candidato Osvaldo Piana. Mas isso não interferiu na amizade e, quando o Piana assumiu e eu fui para o Decom, nos seis meses que fiquei lá o Zé foi meu principal ponto de apoio.
Em 1998 estávamos juntos na campanha ao governo, a favor do candidato José Bianco. Mas antes coube ao Zé, como assessor de comunicação da Fiero mostrar a Federação ao público, trabalho feito com competência. Agora mesmo em mais um desafio, cabe-lhe o trabalho na Santo Antônio Energia o que, tenho certeza, não seja fácil.
Falei do jornalista. E do cidadão? Bom, eu e muitos aqui temos o Zé Carlos Sá como uma referência quando se trata de profissionalismo e ética."
Lucio Albuquerque. Assessor do Tribunal de
Contas do Estado de Rondônia

“É um grande conhecedor da história de Rondônia”

"Quanto ao jornalista José Carlos Sá, "ZeCarlos", reputo-o como um profissional ético, sensato, companheiro e um dos profissionais competentes e estudiosos do Jornalismo Especializado em Assessoria de Imprensa, em atividade em Rondônia.
Conheci-o um pouco depois de migrar de Manaus (AM) para Porto Velho (Rondônia), na década de 1980, logo após a criação do Estado de Rondônia, e da eleição do primeiro governador eleito pelo voto direto do Estado, Jerônimo Garcia de Santana.
Desde que aqui aportou, na gestão do ex-governador Ângelo Angelim, junto com o Márcio Raposo, outro mineiro, mostrou-se logo preocupado com a falta de estrutura física e de recursos humanos para que o governo pudesse garantir aos cidadãos maior acesso às informações.
"ZeCarlos" tornou-se um profundo conhecedor da História Regional de Rondônia, cujas pilastras foram fincadas sob a influência das mais diferentes vertentes culturais que instigam e aguçam, cada vez mais, a sede do saber em cada nativo e migrante deste "Pedaço de Brasil"."

Abdoral Cardoso. Assessor de Imprensa do
Tribunal Regional Eleitoral da 14ª Região

“Ajuda a escrever a melhor parte da história da imprensa de Rondônia”

"Falar do companheiro jornalista José Carlos Sá me levou a matutar para trazer à baila lembranças de quando trabalhamos juntos no Departamento de Comunicação do Governo de Rondônia, da época em que ele atuava na Federação das Indústrias de Rondônia e depois na assessoria do ex-deputado federal Miguel de Souza.
Lembranças também de momentos em que a vida de jornalista permite tirar da tomada a conexão que nos aprisiona na incessante vontade de testemunhar fatos da história. É o banal lazer, direito de todo mundo, especialmente regado a uma cervejinha, é claro. Foram poucos, mas o suficiente para crescer a admiração e estreitar a amizade.
Não conheço o jornalista Zé Carlos das redações e das rádios de sua Minas Gerais. Conheço o jornalista das Assessorias de Imprensa na terra que ele abraçou não apenas com o coração, mas também com o intelecto do gosto pela leitura, devorando nossos historiadores, e tudo querendo saber sobre Rondon e suas empreitadas no oeste brasileiro.
Pois bem. Esse Zé Carlos é competente profissional. Responsável e dedicado, nada deixava passar ao revisar a redação de colegas do Decom. Sou de péssima memória, mas lembro que por suas qualidades merecia bastante confiança do chefe e do secretário da Casa Civil, condição muito importante para o exercício de uma Assessoria de Imprensa.
Era um pouco burocrático, na tarefa de preparar o boletim com os releases de cada dia. Talvez por isso tenha caído fora, conquistando espaços muito melhores em sua vida profissional, ligados à indústria, ao desenvolvimento.
Temo o exagero do reconhecimento a um profissional respeitado, que ao longo de sua trajetória em AI sempre manteve abertas as portas das redações. Discreto, de poucas palavras como convém a um mineiro, Zé Carlos não é dado a rapapés. E, além do mais, sempre é possível interpretar depoimento dessa natureza como uma troca de figurinhas, o corporativismo com a força de expressão pessoal entre colegas de geração equivalente.
Tomara que assim não seja. José Carlos Sá, não tenho dúvida, ajuda a escrever a melhor parte da história da imprensa e dos jornalistas de Rondônia."
Mara Paraguassu. Assessora de imprensa
da senadora Fátima Cleide (PT)

"Com ele aprendi a importância de estar à frente da notícia"

"Conheci em 90, um jornalista mineiro, afoito, dedicado, lutador - O Zé Carlos Sá. Eram tempos de discussões acaloradas, ninguém sabia muito o que fazer com a tal "democracia", afinal éramos um produto da ditadura militar. Zé Carlos corria célere atrás da campanha Orestes Muniz (candidato ao governo de Rondônia). Tinha notícias privilegiadas, quentinhas, saídas do "Forno Jerônimo Santana" (governador).
Lembro-me bem, ele chegava todas as manhãs no Palácio Presidente Vargas, dava um alô para o chefe e corria para nossa sala - naquela época diziam ser um braço da Dicom (Divisão de Comunicação do Governo de Rondônia). Parávamos para ouvir o Zé. Ele arrebatava a atenção de todos, contava as novidades e comentava sobre elas, fazia projeções.
Não passou muito tempo, vi o Zé como repórter do "Alto Madeira". Aí que aprendi uma coisa com ele, estar sempre à frente da notícia. Era por isso que o respeitávamos tanto, além do texto impecável, é claro. Os anos passaram, o Zé subiu, subiu... chegou a uma magnitude que todos jornalistas gostariam de alcançar. Valeu Zé!"
Sara Xavier. Assessora de Imprensa do INSS 
e professora de Comunicação Social

Passagem pelo Alto Madeira foi marcante

Foram apenas dois anos na equipe de reportagem do jornal Alto Madeira, mas tempo suficiente para que José Carlos Sá se sentisse realizado profissionalmente. Em substituição a Abdoral Cardoso, ele entrou no jornal em 1991 onde fez grandes coberturas.

“Ficaram marcadas para mim a primeira greve da Polícia Militar, o surgimento do Cólera e o fim do garimpo no rio Madeira. Como repórter, foi no AM minha realização profissional. Em Belo Horizonte ainda era inexperiente, fiz muitas reportagens boas na TV Alterosa e na rádio Guarani, mas nada comparado com meu tempo no AM”, afirma.

Projeto Madeira foi um desafio


Desde que retomou o trabalho em Furnas (hoje Eletrobrás Furnas), José Carlos Sá sabia que estava vivendo um momento importante para o estado de Rondônia com a possibilidade da construção de duas hidrelétricas no rio Madeira. “O alicerce que construí durante todos esses anos com os colegas de redação facilitou o meu trabalho de divulgar o Projeto Madeira”, afirma.
“Enfrentei o desafio de trabalhar em um projeto de construção de hidrelétrica na Amazônia. Acompanhei os estudos ambientais e de engenharia indo a campo. Precisei aprender termos técnicos/científicos e entender tudo ou quase tudo que estava para acontecer”, diz.
Em 10 de dezembro de 2007 quando Furnas venceu o leilão para construir a Usina Hidrelétrica Santo Antônio, ele teve certeza de que muito trabalho estava por vir. Em 2008 foi criada a Madeira Energia S/A (Mesa), empresa responsável pela construção e futura geração de energia da UHE Santo Antônio, e José Carlos passou a ser RI – termo até então pouco conhecido.
“Relações institucionais é o trabalho ampliado de assessor de imprensa. Sou o elo entre a minha empresa a imprensa e todos os níveis do Poder Público”, sintetiza. Em 2009 a Mesa passou a ser Santo Antônio Energia e com quase dois anos de construção da UHE as atribuições do RI José Carlos Sá aumentam conforme o avanço das obras.

Em janeiro de 2005, no dia em que completou 49 anos,  acompanhando a equipe de Hidrografia de Furnas, no rio Mamoré, na fronteira com a Bolívia. No topo: Dia 08 de novembro de 2004, com a equipe de Topografia, no local em que está sendo construída a UHE Santo Antônio, na margem esquerda do rio Madeira

Outras passagens pelo poder e de lá para AI de instituição privada

Em 1993 José Carlos Sá foi contratado pela Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero) para ser o assessor do presidente, Miguel de Souza. Em pouco tempo “sem muito o que fazer” passou a atuar em toda a instituição – Sesi, Senai e IEL.
Cinco anos depois, José Carlos trabalhou na campanha política em que o chefe, Miguel de Souza, era candidato à vice-governador. No ano seguinte (1999), após a vitória, foi nomeado secretário executivo do gabinete do vice-governador. O cargo era o equivalente ao de secretário de estado “com todos os seus ônus e bônus”.
No ano 2000, após a reforma governamental, José Carlos passou a ser secretário particular do vice-governador, exercendo a função de assessor de imprensa. Em 2003, no fim do governo, voltou para a Fiero como gerente de Marketing.
Em 2004 aceitou o convite de Furnas Centrais Elétricas e pediu demissão da Fiero, mas no ano seguinte se desligou da empresa para ir trabalhar na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), no gabinete do deputado federal Miguel de Souza. Não se adaptou à cidade e em 2006 retorna para Porto Velho onde recomeça o trabalho em Furnas, no Projeto Madeira. “Cheguei uma semana antes das audiências públicas”, lembra.














No topo: com o então major Josenildo Querino,ajudante de ordens do ex-vice-governador Miguel de Souza. A cima: em Arequipa (Sul do Peru) na comitiva do vice Miguel de Souza (centro), com Pedro Teixeira, Yodon Guedes e José Carlos, presidente do Sindicato da Indústria Madereira de Porto Velho

Quinze dias que se estendem por mais de 20 anos

Um convite repentino e tentador – pelo menos para alguém com apenas quatro anos de profissão pouco a perder e muito a aprender. Ir para Rondônia, estado recém criado, organizar a Assessoria de Comunicação do governo em 15 dias. José Carlos Sá cumpriu com o que se propôs, mas esticou o tempo de permanência em Porto Velho, sede do governo do estado.
Há 24 anos, completados em abril passado, José Carlos iniciou essa história com Rondônia, participando ativamente da comunicação na área de assessoria de imprensa, quando esse nicho do jornalismo ainda engatinhava em Porto Velho. Abaixo, ele conta um pouco sobre aquela época.

Como surgiu o convite para você vir para Rondônia?

Um colega de faculdade, voltando da Venezuela, passou por Porto Velho, entregou o currículo dele no Palácio Presidente Vargas e foi contratado na hora. Meses depois, o governador Ângelo Angelim, aborrecido com as críticas que eram feitas pelos jornais aos releases do Decom, por causa dos erros de concordância – entre outros – pediu ao Márcio Raposo para conseguir um jornalista que “consertasse” a assessoria, pois achava que a coisa era feita de propósito para sabotá-lo. Fui convidado e aceitei.

Como foi seu trabalho durante esses 15 dias?
Fui bem recebido, apesar do estranhamento. O pessoal do Decom – nem a diretora – foi avisado da minha chegada e da missão. Procurei entender como trabalhavam, fiz o diagnóstico e propus as mudanças, que mesmo com resistência de alguns, foram implantadas.

Qual foi seu maior estranhamento em relação ao trabalho?
Não havia pauta, nem revisão. Os repórteres saiam para cobrir as audiências com o governador, ou viagens, sem saber o que fariam. Depois voltavam, redigiam as matérias, que eram redatilografadas, xerocadas e enviadas aos veículos. O que era mais urgente e para o interior, eram enviadas via Telex.

Foi difícil implantar as alterações necessárias?
Foi. Os colegas não eram acostumados a trabalhar com pauta. Eu as deixava nas máquinas de datilografar. Achavam isso impessoal demais. Não havia o costume de gerar assuntos. Eram reativos, ou seja, se contentavam em cobrir eventos e não propor pautas que não estavam já pré-agendados.
Uma outra coisa é que o gabinete não divulgava a agenda do governador. Você só sabia na hora da audiência ou evento. Foi difícil o convencimento do chefe de gabinete para informar à Comunicação e ao Cerimonial com antecedência.

Qual o marco dessa época – o que ficou na assessoria que foi você quem fez?
Pautar os repórteres e agir pró-ativamente. Enviar as matérias logo após o evento, ao invés de fazer isso até quatro dias depois.

O que ganhou outra característica a partir do seu trabalho?
A integração do Gabinete do Governador com os departamentos de Comunicação e Cerimonial, permitindo um melhor planejamento para as coberturas jornalísticas e de eventos.

Como era, naquela época, o trabalho de assessor de imprensa em Rondônia? O que tinha de diferente de Minas Gerais?
O pessoal de redação discriminava os assessores de imprensa aqui e lá. Com razão. Os textos eram sofríveis e o culto à personalidade era o forte. Hoje, de uma forma geral, apesar de ainda existirem assessores com textos ruins, há um profissionalismo dos jornalistas em assessoria de Imprensa (mudaram até o nome da função) e uma avaliação do que enviar aos veículos. 
A partir da esquerda: Abdoral Cardoso, Ciro Pinheiro, José Carlos Sá. Luiz Rivoiro e Lucio Albuquerque

Da faculdade para a rádio e tevê em Belo Horizonte

Na época em que José Carlos Sá cursou Comunicação Social-Jornalismo, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo Horizonte (Fafi-BH), não havia necessidade de fazer estágio. Mas no 7° semestre do curso ele foi convidado a cobrir férias de um colega na Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Passou 30 dias editando notícias nacionais e internacionais, trabalhava das 22h às 2h na rádio, durante o dia na Rede Ferroviária Federal, onde era datilógrafo, e à noite ia para a faculdade. “Dormia embaixo da mesa, no intervalo para o almoço”, lembra.
No semestre seguinte – último do curso – saiu da Rede Ferroviária e começou a trabalhar na Assessoria de Imprensa do deputado Gil César Moreira de Abreu. Foi contratado pela Rádio Itatiaia onde ficou de 1982 a 1984.
Saiu de lá para fazer parte da equipe do Diário Associados, proprietário da TV Alterosa (SBT) e da Rádio Guarani. Na TV inicialmente fez a produção do programa ‘Jornalismo Cinco’ depois passou para a reportagem. No rádio era redator e editor, ficou por um ano. Seu último dia de trabalho na TV Alterosa foi em 10 de abril, no dia 14 começava uma nova etapa profissional longe de Belo Horizonte, no recente estado de Rondônia.

No curso de Jornalismo havia a disciplina 'Cinema'.
José Carlos fez um documentário em 8mm sobre
o fim da zona boêmia da Lagoinha para a contrução do metrô de Belo Horizonte

José Carlos Sá antes da redação

A responsabilidade chegou cedo para José Carlos de Sá Junior. Aos 14 anos o menino nascido em Teófilo Otoni (Norte de Minas Gerais) começou a trabalhar. Saía cedo de casa rumo aos Correios e de lá, carregando uma pesada bolsa, andava o dia inteiro entregando correspondências. À noite ia para a escola. “Eu fico cansado só de pensar nesta época”, diz.

A rotina corrida e cansativa se estendeu por muitos anos, mesmo após o fim da carreira de carteiro e o término da escola. Após sair dos Correios, aos 19 anos, foi para a Aeronáutica onde ficou até os 22. Nesta época já estava cursando Comunicação Social e por não concordar ideologicamente com o que ouvia na faculdade de noite e na Base Aérea de dia, optou por pedir baixa. “Estava parecendo um robô. Vi que não fazia sentido continuar”, lembra.
Depois de sair da Aeronáutica, José Carlos foi trabalhar na Rede Ferroviária – onde avós, pais e irmão trabalhavam. Era datilógrafo e ao chegar no último ano da faculdade pediu para ser transferido para o departamento de Comunicação da empresa, mas o chefe não aceitou. Ele disse que não podia perder um datilógrafo, então pedi demissão”. E saiu em busca do queria, trabalhar na área em que estava se formando.

José Carlos (direita), aos 19 anos, na Base Aérea de Belo Horizonte (MG), ao lado do colega Antônio Tinoco
Acima, em Teófilo Otoni (MG), aos 6 anos, "com o amigo Jaime, que me ensinou a ler"